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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PROJETOS DE MATEMÁTICA


Matemática - Equação do 2º grau
Como resolver equações de segundo grau?

Qual é a quantidade necessária de aço para que se construa um tanque esférico com capacidade de 500 mil litros? Há cerca de 2000 anos as sociedades humanas já sabiam expressar sentenças matemáticas com o uso de variáveis. Mas, para tratar de problemas que envolviam, fundamentalmente, cálculo de áreas, como é o caso na questão acima, os homens se viram frente a novos tipos de equações, nas quais a variável aparece elevada ao quadrado. A presença de situações práticas que envolviam esse tipo de equações fez com que se desenvolvessem métodos cada vez mais rápidospara sua resolução. Um importante passo nesse sentido foi dado por Al-Khowarizmi, grandematemático árabe do século IX que,para tanto, utilizou um método geométrico: a formação de quadrados. Com base no Método de Al-Khowarizmi, o hindu Bhaskara desenvolveu uma fórmula que imortalizou seu nome.
1. Equação de segundo grauAs equações de segundo grau, utilizando-se os mesmos critérios deequivalênciada equação de primeiro grau, reduzem-se à seguinte expressão:

ax2 + bx + c = 0


onde a, b e c são números reais, com a 0, e x é a incógnita. Os númerosa, b e c são os coeficientes da equação:
a é o coeficiente de x2
b é o coeficiente de x
c é o termo independente de x


Esta maneira de apresentar a equação de segundo grau recebe o nome de forma ou fórmula geral.
2. Resolução da equação de segundo grauQuando tivermos de resolver uma equação de segundo grau, veremos que, às vezes, elas estão completas, com todos os termos que marcam a forma geral, e em outras ocasiões estão incompletas, como nos seguintes casos:

• 2x2 = 0
a = 2, b = c = 0
• 3x2 + 2 = 0
a = 3, b = 0, c = 2
• 4x2 + 5x = 0
a = 4, b = 5, c = 0



Essas equações devem ser resolvidas diretamente, pois é mais rápido e simples.
Resolução das equações de segundo grau incompletas

• Equações do tipo ax2 = 0. Com a > 0. Solucionamos:


Todas as equações de segundo grau do tipo ax2 = 0 têm por solução x = 0.

• Equações do tipo ax2 + c = 0
Transpomos os termossomando ­ c: a x2 = ­ c

Isolamos:
Se ­ c / a for negativo, não há solução no conjunto dos números reais.
Se ­ c / a for positivo, a equação tem duas soluções:


Todas as equações de segundo grau do tipo ax2 + c = 0têm duas soluções se ­c / a for positivo.

• Equações do tipo ax2 + bx = 0
Fatoramos a equação tirando o fator comum x: x (ax + b) = 0
É importante considerar que se o produto de dois fatores for 0, pelo menos um deles tem de ser 0. Desta propriedade, deduzimos que:

x = 0 ou ax + b = 0
onde x = 0 já é uma solução. Falta acharmos a solução de ax + b = 0, onde:

Temos, portanto, duas soluções:

Resolução das equações de segundo grau completas
Se tivermos uma equação do tipo: ax2 + bx + c = 0
A solução de uma equação do segundo grau completa é deduzida a partir da transformação de um trinômio do 2º grau em um quadrado perfeito.
Vamos, então, preparar o primeiro membro da equação assinalada utilizando os princípios de equivalência para que seja um quadrado perfeito.

• Transpomos os termos somando ­c: ax2 + bx = ­c
• Multiplicamos por 4a: 4a2x2 + 4abx = ­ 4ac
• Somamos b2: 4a2x2 + 4abx + b2 = b2 4ac, o que nos dá no primeiro membro ou então ((2ax + b)2 = b2 ­ 4ac
• Extraímos a raiz quadrada:
• Somamos
• Dividimos por 2a:
Finalmente, a equação de segundo grau completa, se b2 ­ 4ac for positivo, tem duas soluções:

3. Soluções da equação de segundo grauA existência e o número de soluções da equação ax2 + bx + c = 0 dependem do número b2 - 4ac, a que chamaremos discriminante e representaremos pela letra grega (delta maiúscula).
Discussão do discriminante

• Se < se =" 0,"> 0, há duas soluções reais diferentes:

e


As soluções de uma equação recebem também o nome de raízes da equação. Por raiz da equação entendemos, então, o valor do termo incógnito que satisfaz a igualdade da equação.
4. Relação entre as raízes e os coeficientesNa busca de formas mais simples de se resolver uma equação de segundo grau, os matemáticos encontraram uma interessante relação entre os coeficientes e as raízes que permitiu resolver essas equações com um simples cálculo mental. Essa relação foi percebida ao se fazerem a soma e o produto de suas raízes.
Soma das raízes:

Produto das raízes: 

Observando estas operações, podemos facilmente comprovar que, para conhecer a soma e o produto das raízes de uma equação de segundo grau, não é preciso resolver a equação.

Exemplo:
Dada a equação 2x2 + 2x ­ 12 = 0; a = 2, b = ­ 2 e c = 12

Dois números que somados resultam 1 e cujo produto é ­6 só podem ser 3 e ­2. Portanto, as raízes da equação são ­3 e 2.

EXERCÍCIOS
1. Resolver as seguintes equações:a) 4x2 + 16 = 0 b) 5x2 + 7x = 0

2. Resolver a seguinte equação:2x2 + 3x -5 = 0

3. Calcular a soma e o produto das raízes da equação x2 - 6x + 9 = 0. Tirar a prova resolvendo a equação.

ADIVINHAÇÕES

JUSTIFICATIVA: Sendo final de ano temos que trazer atividades onde possamos atrair o aluno de forma em que ele lembre e estude matemática de um jeito indireto e que o mesmo nem perceba que está estudando.

OBJETIVOS: Estimular o raciocínio lógico e atrair os alunos de maneira que eles nem percebam que estão resolvendo exercícios de matemática.

METAS:
· Estimular o raciocínio;
· Reforçar o aprendizado;
· Estimular os alunos a trabalhar em equipe.

AÇÕES:
A professora da sala trouxe adivinhas para fazer com os alunos;
Houve um tipo de “competição” entre os alunos para saber quem sabia responder mais rápido e de maneira correta;
Em seguida eles fizeram com os colegas o mesmo, mas com adivinhas que eles aprenderam na rua e até mesmo com familiares.

EQUIPAMENTOS / MATERIAIS UTILIZADOS: Adivinhações cedidas na D.E.



CAMPEONATO DE ADIVINHAS DE MATEMÁTICA

1. Quando é que tenho 4 tiro 1 fica 5?
2. Num avião iam 4 romanos e 1 inglês. Qual é o nome da aeromoça?
3. Quando é que 1 + 1 é igual a 3?
4. Quando é que nove menos um é, igual a 10?
5. O que o livro de matemática disse para o de português?
6. Qual é a diferença entre uma lagosta de seis meses e um elefante de 14 anos?
7. De que lado fica a asa da xícara?
8. O que é que quanto menos se perde mais se tem?
9. O que é quanto mais curto mais se prende?
10. O que é que quando mais se tem menos se sabe o que fazer com ele?
11. E o ultimo a subir e o primeiro a descer. O que é?
12. O que a máquina de somar disse para o contador?
13. O que é que quando se perde nunca mais se encontra?
14. O que é que fica mais baixo com a cabeça do que sem ela?
15. O que é que tem 4 boca e não fala nunca?
16. 16. O que é que quanto mais se tira mais se tem?
17. 17. O que é que quanto mais se tira maior fica?
18. O que é que nunca está no começo e nunca está no fim?
19. O que é que quanto mais cresce, mais perto fica do chão?
20. O que é que quanto mais se corta maior se fica?
21. O que é uma árvore com doze galhos, cada galho com 30 frutas, cada fruta com vinte e quatro sementes?
22. Uma casa de quatro cantos, cada canto tem um gato, cada gato vê três gatos, quantos gatos tem na casa?
23. É leve como o ar, mas ninguém consegue segurar por mais de alguns segundos?
24. O que é que tem 24 pés?
25. Qual é a medida que é uma fera?
26. Qual é a metade de 2 + 2?
27. Qual é a diferença entre um avarento e o vento?
28. Qual é a diferença entre a aurora e o pôr-do-sol?
29. Qual é a palavra que tem 4 letras, mas vale sete?
30. Quando é que o relógio vira mulher?
31. Como é que os relojoeiros resolvem uma briga?
32. Onde é que as palavras valem mais do que a mensagem?

TANGRAM

Muitos conhecem o Tangram, um quebra-cabeça chinês, de origem milenar. Seu nome original é: Tch´ i Tch´ iao Pan, significa as sete tábuas da argúcia. Ao contrário de outros quebra-cabeças ele é formado por apenas sete peças com formas geométricas resultantes da decomposição de um quadrado, são elas:


  • 2 triângulos grandes,
  • 2 triângulos pequenos,
  • 1 triângulo médio,
  • 1 quadrado,
  • 1 paralelogramo.
Com estas peças é possível criar e montar cerca de 1700 figuras entre animais, plantas, pessoas, objetos, letras, números, figuras geométricas entre outras. Veja:



O professor pode iniciar a apresentação deste jogo-material pedagógico contando uma lenda sobre o Tangram, assim:
Um jovem chinês despedia-se de seu mestre, pois iniciaria uma grande viagem pelo mundo. Nessa ocasião, o mestre entregou-lhe um espelho de forma quadrada e disse:
- Com esse espelho você registrará tudo o que vir durante a viagem, para mostrar-me na volta.
O discípulo surpreso, indagou:
- Mas mestre, como, com um simples espelho, poderá eu lhe mostrar tudo o que encontrar durante a viagem?
No momento em que fazia esta pergunta, o espelho caiu-lhe das mãos, quebrando-se em sete peças.
Então o mestre disse:
- Agora você poderá, com essas sete peças, construir figuras para ilustrar o que viu durante a viagem.

Com o uso do Tangram o professor pode trabalhar:
  • identificação,
  • comparação,
  • descrição,
  • classificação,
  • desenho de formas geométricas planas,
  • visualização e representação de figuras planas,
  • exploração de transformações geométricas através de decomposição e composição de figuras,
  • compreensão das propriedades das figuras geométricas planas,
  • representação e resolução de problemas usando modelos geométricos,
  • noções de áreas,
  • frações.
Projeto

JUSTIFICATIVA:Despertar o interesse pelo estudo e o estimular a desenvolver a própria criatividade.

OBJETIVOS: Desenvolver o prazer pelo estudo.

METAS: Sugeri que os alunos acomodados em grupos utilizassem as sete peças do Tangram para construção de qualquer figura geométrica.

AÇÕES:
1. Os alunos conheceram a história do Tangram;
2. Conheceram o nome de cada parte do Tangram;
3. Fizeram os cortes necessários;
4. Usaram a criatividade para criar desenhos com formas geométricas;
5. Calculo de área.

EQUIPAMENTOS / MATERIAIS UTILIZADOS: Sulfite, papel cartão, lápis de cor, tesoura, cola.

DOMINÓ MATEMÁTICO

JUSTIFICATIVA: Atividade proposta visa estimular a aprendizagem de uma forma lúdica e exercitar o raciocínio de forma a torná-lo mais rápido.

OBJETIVOS: Desenvolver o prazer pelo estudo, exercitar o raciocínio, ativando a capacidade de cada um.

METAS:
· Estimular o raciocínio;
· Reforçar o aprendizado;
· Estimular os alunos a trabalhar em equipe.

AÇÕES: Foi fornecido o xérox do jogo para cada dupla, apenas um lápis de cor e um apontador para todos os alunos (para que aprendam a ser solidários, trabalhar com pouco material, ter consciência de que dependemos do próximo). Colaram no papel cartão, recortaram e depois brincaram.

EQUIPAMENTOS / MATERIAIS UTILIZADOS: Peças com fatores e outras com os resultados.

QUAL É A ÁREA DE UMA FOLHA?

 

JUSTIFICATIVA: A atividade proposta visa ao aluno a aprender a calcular áreas ocupadas.

OBJETIVOS:
· Obtenção de valores de áreas (aproximada).
· Compreensão dos conceitos matemáticos e procedimentos matemáticos.

METAS: Estimular o aluno a aprender a calcular áreas de forma lúdica e prazerosa, pois utilizará sempre em seu dia-dia.

AÇÕES:
· Os alunos trouxeram folhas de árvores de formas variadas.
· Risque o contorno em uma folha em um papel quadriculado.
· Conte os quadradinhos (que valem 1 cm²); onde os espaços quebrados devem ser compensados.

EQUIPAMENTOS / MATERIAIS UTILIZADOS: Folhas de árvores de formas variadas, papel quadriculados, lápis, caneta hidrocor, lápis de cor.

CONSTRUÇÃO DE FIGURAS GEOMÉTRICAS TRIDIMENSIONAIS

JUSTIFICATIVA: Atividade proposta visa estimular a aprendizagem de uma forma lúdica.

OBJETIVOS: Manipular e fazer a construção de formas geométricas tridimensionais e bidimensionais.

METAS:
Identificar as suas características,
Perceber semelhanças e diferenças entre elas (superfícies planas e arredondadas, formas das faces, simetrias),
Reconhecer os elementos que se compõem (faces, arestas, vértices, lados, ângulos).

AÇÕES:
Foi fornecido o xérox das figuras geométricas para cada aluno e lápis de cor,
Recortaram e montaram as figuras geométricas,
Depois das figuras montadas, puderam visualizar de maneira concreta cada um dos elementos encontrados em cada uma.

EQUIPAMENTOS / MATERIAIS UTILIZADOS: Xérox, lápis de cor, caneta hidrocor, cola e tesoura.

ANDANDO NA TRILHA DAS FORMAS GEOMÉTRICAS

JUSTIFICATIVA: Atividade proposta visa estimular a aprendizagem de uma forma lúdica e exercitar o raciocínio de forma a torná-lo mais rápido.

OBJETIVOS:Os jogos em geral exigem disciplina e obediência a convenções, mas, estimulada pelo objetivo do jogo e pelo prazer da competição, a criança desenvolve habilidades que lhe possibilitam compreender a matemática de maneira natural e agradável.

METAS:
· Estimular o raciocínio;
· Reforçar o aprendizado;
· Estimular os alunos a trabalhar em equipe.

AÇÕES: Cada um na sua vez, os participantes jogam um dado e, de acordo com o número obtido, avançam até uma casa onde está o desenho de uma forma geométrica. Se sair:
3 ou 6, para o desenho da forma espacial mais próximo
· 2 ou 5, para o desenho da forma plana (região) mais próxima
· 1 ou 4, para a casa do contorno de forma plana mais próxima
Ao atingir a casa, o participante deve falar o nome da forma geométrica. Se acertar, avança mais uma casa. Vence o jogo quem cair na casa que tem as 3 formas geométricas e disser corretamente o nome delas.

EQUIPAMENTOS / MATERIAIS UTILIZADOS: Trilha com formas geométricas e dado.

Jogo de cartas do tipo Supertrunfo


Jogo de cartas do tipo Supertrunfo


- Ler, comparar e ordenar números de até três algarismos. 

Conteúdos
- Leitura numérica.
- Regras do sistema de numeração.

Anos
Pré-escola.

Tempo estimado
Dez aulas.

Material necessário
Jogo Supertrunfo de vários temas, diferentes portadores numéricos, como fita métrica. Canetas coloridas, cartolinas e folhas de sulfite.

Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual
Desde que bem estimuladas, as crianças com deficiência intelectual são plenamente capazes de compreender as regras básicas do sistema de numeração. Antecipe a apresentação do jogo Supertrunfo para esta criança. Com o apoio do responsável pela sala de recursos revise com a criança a sequência numérica e ofereça a ela portadores numéricos de fácil consulta, como a fita métrica, por exemplo. Isso vai ajudá-la a jogar com a turma. Você ou os colegas podem ajudar a criança a escrever os números nas cartas, caso ela ainda não seja capaz de fazer isso sozinha. Quanto mais próximo do cotidiano da criança for o tema do jogo, mais fácil será para ela compreender a lógica. Se animais soar complicado ou distante do dia-a-dia da criança, é possível elaborar o jogo com base nas alturas da turma (excluindo as casas decimais) ou no número dos sapatos de cada um. Amplie o tempo de realização das etapas e repita a atividade para facilitar a aprendizagem.

Desenvolvimento
1ª etapa
Pergunte às crianças se conhecem o jogo Supertrunfo. Em caso afirmativo, sistematize o que foi falado e socialize as informações. Se não, apresente-o e organize alguns dias de jogo.

2ª etapa
Proponha situações-problema para que as crianças reflitam e elaborem critérios de comparação entre dois números apresentados nas cartas do jogo (como força 314 e força 324. Quem ganhou?). Dessa forma, todas terão repertório para construir critérios comuns a fim de comprar números altos.

3ª etapa
Proponha ao grupo criar um jogo do tipo Supertrunfo. Primeiramente, decidam o tema (como animais) e as grandezas (altura e número de filhotes). Questione os pequenos a respeito do intervalo numérico em que se encontram as informações - é interessante para o jogo? Depois, organize a pesquisa das informações.

4ª etapa
Distribua papel e caneta para elaborar a primeira versão das cartas. Lembre à criançada que recorra aos portadores numéricos em caso de dúvida. Durante o preparo, não interfira. Os conflitos e os problemas que surgirem devem ser analisados coletivamente depois.

5ª etapa
Com o jogo pronto, é hora de problematizar a produção. Convide os alunos a jogar. Peça que a turma averigue se o jogo apresenta problemas e quais soluções possíveis. Sistematize as falas e proponha a construção de um novo jogo ou a reformulação do que foi feito.

6ª etapa
Peça que a turma confeccione a versão final das cartas, criando ilustrações para cada uma delas.

Produto final
Jogo tipo Supertrunfo.

Avaliação
Observe se, ao longo da proposta, as crianças avançam nas questões relacionadas à leitura e à comparação numérica, utilizam a tabela numérica e portadores numéricos como fonte de pesquisa. É importante que empreguem alguns critérios para determinar qual número é maior quando fazem a comparação das cartas.

Ler por prazer no ritmo do cordel

NOVA ESCOLA responde oito perguntas sobre como trabalhar a literatura de cordel na sala de aula
Arte popular. Foto: Gustavo Lourenção
ARTE POPULAR Na CEIEF Aracy Nogueira Guimarães, a professora Ana Cristina Adão transformou a literatura de cordel em conteúdo de Língua Portuguesa para sua turma de 4º ano. Os principais objetivos: ampliar o repertório dos estudantes e desenvolver na meninada o comportamento leitor.
Se você nunca pensou em apresentar literatura de cordel aos seus alunos, por considerá-la pobre ou popular demais, saiba que está cometendo um erro de avaliação. Primeiro porque popular não é sinônimo de má qualidade. Depois porque esse gênero literário é riquíssimo tanto na forma como no conteúdo. Tão rico que muitos especialistas costumam considerá-lo uma ferramenta excepcional para desenvolver na garotada o comportamento leitor.

O que faz da poesia de cordel um instrumento capaz de estimular o hábito da leitura são características que costumam encantar as crianças, entre elas a musicalidade das rimas, a temática, que geralmente remete à cultura nordestina, e as metáforas, que abrem caminho para boas discussões. Já que é assim, por que não usar o cordel para ampliar o repertório da turma? NOVA ESCOLA foi ouvir quem entende do assunto para elucidar algumas dúvidas sobre como trabalhar com a leitura desse tipo de texto.
1 Qual é a melhor maneira de ler a poesia de cordel para os alunos em sala de sala?
O ideal é que você prepare a leitura com antecedência para dar o devido destaque ao ritmo e à musicalidade proporcionados pelas rimas. Treine a entonação, lembrando-se sempre de que é recitando de modo expressivo que os cordelistas atraem compradores para os seus folhetos. O professor deve atuar como modelo de leitor, questionando as intenções do autor ao escolher determinadas expressões e ajudando na construção do sentido (leia a sequência didática). Informe-se sobre a história e a estrutura poética. Se contar com os recursos necessários, reproduza gravações de cordel em sala de aula. Assim, os alunos terão referências da relação entre o texto e a oralidade típica do gênero.
2 E os estudantes, como devem fazer a leitura?
Ler em voz alta é bom, já que o cordel está fundamentado na oralidade. "Pedir que os alunos levem cordéis para casa e leiam para seus pais é uma boa maneira de aproximá-los do gênero", diz Hélder Pinheiro, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
3 Depois de ler, o que discutir com as crianças?
Regionalismos, metáforas e palavras que fogem da grafia-padrão, por exemplo.Fatos históricos e aspectos culturais referentes à narrativa também devem ser abordados. Se você intercalar a leitura de cordéis com a de outros gêneros literários, discuta as diferenças entre eles.
4 De que forma explicar palavras fora do padrão?
Os desvios ortográficos típicos do cordel têm origem na estreita relação do gênero com a linguagem oral. Explique que, nesse contexto, eles não são considerados erros, mas traços da fala coloquial e da cultura popular que refletem o ambiente no qual o cordel foi criado.
5 Como abordar regionalismos e metáforas?
Esses elementos refletem o diálogo do sertanejo com suas crenças e seus dilemas cotidianos. É fundamental, portanto, que você estude os cordéis que serão lidos para ajudar seus alunos a compreendê-los. Preparar um glossário de termos regionais pode ajudar bastante.
6 Quais devem ser os critérios na hora de selecionar os textos que serão lidos?
Algumas poesias de cordel têm linguagem chula ou pornográfica. Outros narram histórias violentas. "Na hora de escolher as que serão lidas em sala de aula, é preciso descartar aquelas que apresentem temática inapropriada", diz a professora Ana Cristina Adão, que trabalha a leitura de cordéis com uma turma de 4º ano na CEIEF Aracy Nogueira Guimarães em Limeira, a 150 quilômetros de São Paulo (leia o quadro acima). Ana sugere que, levando em conta a experiência das crianças, sejam selecionados textos que tratem, por exemplo, de lendas, festas regionais, acontecimentos históricos ou simplesmente fatos cotidianos.
7 Dá para trabalhar o cordel no início da alfabetização?
Sim. "A métrica e a rima despertam a curiosidade das crianças", afirma Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, mestre em Literatura pela Universidade Federal de Pernambuvo (UFPE). Apresentá-las ao gênero por meio de cordéis mais curtos, como os escritos em quadras (estrofes de quatro versos) ou sextilhas (de seis), é a melhor estratégia. Não fragmente o cordel. Durante o processo de alfabetização, é importante que os pequenos compreendam o texto em sua integralidade.
8 Onde encontrar boa literatura do gênero?
No Nordeste, encontram-se folhetos à venda em livrarias e até bancas de jornal. Quem está em outras regiões pode comprá-los pela internet, em sites de instituições como o Centro de Tradições Nordestinas, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel e a Casa de Rui Barbosa ou de editoras como Luzeiro e Queima-Bucha. Outra possibilidade é recorrer a livros como Feira de Versos (vários autores, 136 págs., Ed. Ática, tel. 11/3990-1777, 28,90 reais) e O Menino Lê (André Coelho, 32 págs., Ed. Dimensão, tel. 31/3527-8000, 27 reais).
Um pouco de teoria
Do sertão para o mundo. Reprodução
Do sertão para o mundo
Uma das características mais marcantes do cordel é a xilogravura que ilustra a capa dos folhetos. A técnica é rústica: passa-se tinta sobre uma figura entalhada e pressiona-se essa matriz sobre o papel, como se fosse um carimbo. Como a ilustração sintetiza a história contada pelo cordelista, esse é mais um elemento que pode ser explorado em sala de aula. O pernambucano J. Borges, considerado o mais importante xilógrafo do Brasil, já teve seu trabalho exposto até no Museu do Louvre, em Paris.
Quer saber mais? 
Contatar: drikavieiradepaula@hotmail.com

JOGOS E BRINCADEIRAS

http://www.cdof.com.br/consult156.htm#2692